Pai ausente: quando falta direção desde a origem
Pai ausente é a figura paterna que não esteve presente, seja porque foi embora, seja porque estava perto mas emocionalmente distante. Na leitura do Protocolo Raiz®, essa ausência pode marcar a pessoa desde a gestação e virar, no adulto, uma mistura de desamparo, raiva e excesso de autossuficiência. O trabalho passa por instalar estrutura, com acordos, prazos e pessoas, e por separar o que o pai real não deu do que você pode sustentar hoje.
O que significa ter um pai ausente?
Pai ausente é a figura paterna que não esteve lá. Às vezes ele foi embora. Às vezes nunca chegou a assumir. E às vezes morava na mesma casa, mas estava longe de um jeito que doía igual.
Ausência física e ausência emocional deixam marcas parecidas. Em ambos os casos, faltou alguém que oferecesse direção, proteção e estrutura.
Na leitura do Protocolo Raiz®, essa falta pode começar muito cedo. Antes do nascimento, ainda na gestação.
Quando a ausência começa no anúncio
Uma das situações mapeadas pelo método é o abandono do pai no momento em que a gravidez é anunciada. Ele sai, recusa, desaparece.
Para a criança que está sendo gestada, essa é a primeira informação sobre o mundo. O corpo aprende, antes de qualquer palavra, que direção é um luxo e que ninguém vai sustentar.
No adulto, isso costuma aparecer de um jeito muito reconhecível. Você assume tudo. Resolve tudo. Não pede ajuda. Até o dia em que desaba, sozinho e em silêncio.
Os sinais descritos no mapa do Protocolo Raiz® incluem desamparo, dificuldade de decidir questões práticas e uma raiva que aparece tarde, às vezes décadas depois. E, junto, um medo profundo de depender de alguém.
Esse padrão tem muito em comum com a autossuficiência: a pessoa que aprendeu a não precisar de ninguém porque, um dia, não teve com quem contar.
Quando o pai está ausente durante a gestação
A segunda situação olha para a própria gestação. A figura paterna está ausente, de fato ou emocionalmente, ou fica numa posição ambivalente, que ora aparece, ora some.
Quem está gestando sente o peso disso no dia a dia. Decisões práticas, como o nome, o plano de parto e as finanças, ficam difíceis de tomar sozinha. E os pensamentos se repetem: "ninguém me sustenta", "tenho que dar conta de tudo".
Se essa gestação acontece cedo, o peso dobra. A página sobre gravidez na adolescência fala especificamente desse cenário.
O pai real e a função de Pai
Na leitura do método, uma das raízes mais importantes deste bloqueio é uma confusão sutil. A confusão entre o pai da sua história de vida e a função de Pai.
O pai real é uma pessoa, com limites, falhas e uma história própria. A função de Pai é um princípio: direção, estrutura, proteção, limite. Quando o pai real falha, a pessoa costuma concluir que essa função simplesmente não existe para ela.
É legítimo sentir raiva e falta. Esses sentimentos merecem espaço. O movimento seguinte é perceber que a estrutura que faltou pode ser construída agora, por você, com pessoas, prazos, acordos e recursos.
A gente chama isso de instalar estrutura. Ela começa por fora, com combinados claros e pedidos objetivos, e aos poucos vai se instalando por dentro.
Na prática, isso começa no papel. Separar o que faltou, o que você ainda espera e o que assume hoje ajuda a enxergar um ponto delicado. Parte da espera é arriscada, porque depende de alguém que talvez nunca mude. O que você assume hoje já está nas suas mãos.
Como o Protocolo Raiz® trabalha esse padrão
Na coleção Códigos de Saint Germain, as duas situações estão na fase da origem, a da gestação. É a fase que trata das marcas mais antigas, aquelas que o corpo registra antes da memória.
O decreto ligado a elas é o mesmo, com uma pequena variação: direção e proteção suficientes no hoje. A palavra suficiente importa. Ela dispensa a perfeição e convida a dar um passo de cada vez.
Atendendo pessoas, eu encontro esse mesmo desenho o tempo todo. Adultos que carregam o mundo nas costas e que se emocionam quando percebem que podem, finalmente, pedir ajuda sem se sentir fracos.
Os exercícios abaixo propõem o mesmo caminho em duas versões. Os dois começam olhando para o que faltou e terminam com uma ação concreta, assinada por você.
Abandono do pai no anúncio da gestação
Sinais desse bloqueio na vida
- Sensação de desamparo e excesso de autossuficiência, com momentos de colapso
- Dificuldade de decidir questões práticas e de pedir ajuda
- Raiva que aparece tarde, medo de depender e exaustão por “dar conta de tudo”
De onde ele costuma vir
- O pai que saiu ou recusou a gestação no momento do anúncio
- Crenças como “ninguém me sustenta” e “preciso provar o meu valor”
- Falta de um modelo de direção e de estrutura afetiva
Exercício
Faça por 7 dias, de 12 a 18 minutos por dia. O nome do exercício é Assinatura de Estrutura.
- Aterrar (90 segundos). Firme os pés no chão, mantenha a postura ereta e solte o ar com a expiração duas vezes mais longa que a inspiração.
- Escrever (7 a 9 minutos). Faça três colunas: O que faltou, O que ainda espero (e os riscos disso) e O que eu assumo hoje. Transforme cada item da última coluna numa ação objetiva.
- Reescrever a crença (2 minutos). Troque “ninguém me protege” por “eu escolho estruturar proteção com pessoas, prazos e contratos”.
- Pequeno compromisso (3 minutos). Faça um pedido claro e coloque um limite no dia de hoje. Registre os dois na agenda.
Feche repetindo o decreto três vezes, com os pés no chão:
Eu Sou direção e proteção suficientes no hoje.
Os códigos ligados a este bloqueio
No Protocolo Raiz®, este padrão é trabalhado com estes códigos da coleção Códigos de Saint Germain:
- 2. Código do Reconhecimento Paterno
- 58. Código da Presença EU SOU
- 70. Código dos Limites Bondosos
- 46. Código da Prosperidade Sustentável
- 64. Código das Palavras que Me Constroem
Conflito com a figura paterna (ausência/ambivalência) durante a gestação
Sinais desse bloqueio na vida
- Sensação de desamparo, raiva guardada ou cobrança excessiva consigo
- Dificuldade de decidir questões práticas da gestação, como nome, plano de parto e finanças
- Pensamentos que se repetem: “ninguém me sustenta” e “tenho que dar conta de tudo”
De onde ele costuma vir
- Ausência paterna real ou emocional na própria história
- Modelos de paternidade frágeis passados de geração em geração
- Confusão entre o pai da história de vida e a função de Pai, que é dar direção e estrutura
Exercício
Faça por 7 dias, de 10 a 15 minutos por dia. O nome do exercício é Assino Meu Próprio Eixo.
- Aterrar (60 a 90 segundos). Sinta os pés, alinhe a postura e solte o ar devagar, com a expiração longa.
- Escrever (6 a 8 minutos). Faça três colunas: O que faltou, O que ainda espero (e os riscos disso) e O que eu assumo hoje, com as decisões práticas.
- Reescrever a crença (2 minutos). Troque “ninguém me protege” por “eu escolho estruturar proteção com pessoas e prazos”.
- Pequeno compromisso (2 a 3 minutos). Faça uma ação concreta, como abrir uma pasta da gestação, marcar uma conversa sobre finanças ou colocar um acordo por escrito. Assine e coloque a data.
Feche repetindo o decreto três vezes, com os pés no chão:
Eu Sou direção e proteção suficientes hoje.
Os códigos ligados a este bloqueio
No Protocolo Raiz®, este padrão é trabalhado com estes códigos da coleção Códigos de Saint Germain:
- 2. Código do Reconhecimento Paterno
- 58. Código da Presença EU SOU
- 70. Código dos Limites Bondosos
- 46. Código da Prosperidade Sustentável
Perguntas frequentes
Quais são as consequências de crescer com pai ausente?
Muitas pessoas relatam desamparo, dificuldade de pedir ajuda, medo de depender e uma autossuficiência que funciona até o dia em que desaba. Raiva guardada e dificuldade de tomar decisões práticas também são comuns.
Pai presente fisicamente pode ser um pai ausente?
Pode. A ausência emocional também deixa marcas. Um pai que morava na mesma casa, mas não oferecia direção, proteção nem afeto, pode gerar efeitos parecidos com os de um pai que foi embora.
Estou grávida e o pai do bebê se afastou. Como lidar?
É legítimo sentir raiva e falta. O que costuma ajudar é construir estrutura prática: pessoas com quem contar, prazos, recursos e acordos por escrito. Pedir ajuda faz parte de proteger você e o bebê.
Qual código do Protocolo Raiz® trabalha esse padrão?
Na coleção Códigos de Saint Germain, este padrão é trabalhado com o Código do Reconhecimento Paterno, o Código da Presença EU SOU, o Código dos Limites Bondosos, o Código da Prosperidade Sustentável e o Código das Palavras que Me Constroem.
Quer trabalhar esse padrão com os Códigos de Saint Germain?
Os 100 códigos de Saint Germain estão organizados por fase da vida, com exercício e decreto para cada bloqueio. Você aplica em si mesmo ou em atendimento.
Continue lendo
Sobre o autor
Toni Deivid é reprogramador mental e criador do Protocolo Raiz®. Estudou com Tony Robbins em Birmingham, na Inglaterra, e se formou em reprogramação emocional no Brasil. Tem mais de 60 especializações em desenvolvimento pessoal e marketing e é cofundador do Instituto Cura e Coragem, que atende pessoas no mundo todo.